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  Drumagick [Entrevistas]  
Desde a origem do drum’n bass nacional, os nomes Guilherme Lopes e Jr. Deep - o duo Drumagick – já podiam ser vistos junto aos nomes de precursores da produção musical do estilo no Brasil. Agora você confere aqui no DNB Online o que eles têm a dizer sobre algumas questões polêmicas, os novos projetos, a carreira, o novo selo e a cena nacional.

Clique aqui para ouvir o DJ set da dupla enquanto lê a entrevista.


DNBOL: Antigamente vocês produziam coisas pesadas como as faixas "Mó Revolta" e “Aí Maluco”. Agora, produzem faixas cheias de harmonias e melódicas como a “Checkmate”. O que levou a essa mudança?

Drumagick: Como todo produtor, também adquirimos mais conhecimento e informação no decorrer desses quase quatro anos que separam o álbum “Aí Maluco” de “Checkmate!”. Sempre fizemos faixas pesadas, acredito que na mesma proporção que as leves, porém, nossas faixas mais leves tendem a ter maior destaque, principalmente depois do sucesso de “Easy Boom”. Neste álbum temos algumas faixas que consideramos pesadas de algum modo como “Can U Dig It”, “F73”, “Ragga Style” e “Parah” misturadas com outras vertentes do drum'n bass e da música eletrônica. Conseguimos desenvolver bastante esse lado mais melódico do nosso trabalho nos últimos tempos e pesquisamos sempre para tentar aprimorar esse e todos os outros aspectos do nosso trabalho a cada música nova, seja pesquisando em softwares e hardwares ou trabalhando com músicos.


DNBOL: O que vocês acham que levou a identidade do drum'n bass nacional a seguir o caminho de sons como jazzy e soul?

Drumagick: Acho que isso foi uma tendência natural seguindo o movimento do drum'n bass no mundo inteiro, mas, acredito que o que ajudou um pouco mais aqui no Brasil foi a repercussão de nossa música no exterior da maneira como aconteceu. Muitos produtores e DJs começaram a explorar as sonoridades mais melódicas e brasileiras fazendo com que uma coisa empurrasse a outra. E achamos isso ótimo, principalmente se tem influência brasileira envolvida “na parada”, porque a cultura musical de nosso país é vasta. Veja bem, isso não significa que basta colocar um sample qualquer de música brasileira pra soar bonito. A influência brasileira da qual nos referimos é sua essência, que pode estar em samples sim, mas também em programações de basslines, beats, concepção geral da música, etc...


DNBOL: Pra vocês, que tipo de som trará a próxima evolução para o drum'n bass? Ou não há muitas perspectivas?

Drumagick: Acho que não devemos nos preocupar com a próxima evolução do drum'n bass como se fosse uma coisa que, se não acontecer, nos deixará perdidos. Até porque acreditamos que como o drum'n bass é o mais novo estilo do underground eletrônico em comparação com o house e o techno a tendência é que ele também se desenvolva de uma forma parecida, com todos os altos e baixos que uma cena dessas proporciona. Principalmente porque ainda não é tão fácil para a maioria das pessoas que convivem no mundo eletrônico encararem o drum'n bass como algo que soa natural aos ouvidos a ponto de poderem optar por sentar numa roda de amigos e ouvir um drum'n bass mais calmo para conversar e relaxar – muitas pessoas também não sabem que existe esse tipo de drum'n bass, sem contar com os outros que o confundem com chill-out/lounge music –, jogar sinuca ou dançar este mesmo som em uma pista apreciando seu groove. Por ser quebrado fica difícil pra essas pessoas entenderem como a gente sente ele rolar redondo. Apostamos em evolução vinda da mistura da segurança dos DJs e produtores veteranos com as novas sonoridades criadas por jovens "ratos" de computadores que surgem na cena a cada dia e a terceira parte desse tripé seria o produtor que consegue captar a mensagem desses dois fatores e trabalhá-las balanceando o novo com as raízes.


DNBOL: Pra complicar: quais são os piores produtores que apareceram na nova safra internacional?

Drumagick: Em nossa opinião, um mau produtor é o cara que não se preocupa com a qualidade de suas músicas, seja na composição, gravação ou mixagem e também o cara que não faz questão de pesquisar sons novos para acrescentar algo em seu trabalho. Evidente que existem músicas que não gostamos, mas gosto é uma questão pessoal, posso não gostar de uma música e todo mundo gostar dela, às vezes é assim, mas não significa que o produtor que fez a música ficaria no setor dos piores. Produção musical é uma profissão que requer muita dedicação. Não posso cometer a injustiça de classificar algum produtor que trabalhou duramente para colocar sua música no mercado como um dos piores porque acho seu som ruim. Todos nós estamos aprendendo, uns estão em alta, outros em baixa e o que importa é trabalhar de verdade para aprender cada vez mais.


DNBOL: O que vocês acham de estar na vanguarda da musica eletrônica nacional e não serem reconhecidos como "tops"?

Drumagick: Muitas pessoas experientes na cena musical brasileira em geral reconhecem o nosso trabalho. Um grande número de pessoas fora do Brasil também. Somente com vinis no período de um ano e meio vendemos mais de 25.000 cópias o que é um número expressivo na carreira de qualquer artista de música eletrônica, é fato que somos mais reconhecidos fora do Brasil. Acredito que isso se deve por alguns fatores: o primeiro e talvez o mais importante deles é o fato de não termos lançado nenhum outro álbum desde "Aí Maluco" até agora, e isso pro Brasil faz muita diferença pois o consumo de vinil aqui é muito pequeno devido ao alto preço que ele atinge quando chega às lojas e fazer festas de lançamento de vinil é uma coisa meio difícil. Outro fator que contribui muito é a dificuldade que nós e muitos outros DJs tem quando o assunto são os monopólios que se formam ao redor da cena, onde vários DJs deixam de apresentar seu trabalho para o público em festivais e festas importantes por intervenções internas e externas muitas vezes influenciadas por aspectos corporativos e/ou pessoais. Está claro que isso acontece em todas as cenas no mundo inteiro, o agravante da cena brasileira é a concentração de oportunidades e espaço em dois ou três pólos principais. Isso já virou polêmica na maioria dos fóruns musicais por aqui. Acho válido tentar esclarecer esse assunto. Na verdade, não nos preocupamos muito com isso, e concentramos nossos esforços em oferecer o nosso melhor para as pessoas que gostam do nosso trabalho e para que possamos conquistar as que não conhecem ou não gostam.


DNBOL: Por que alguns produtores do núcleo 30Hz têm buscado produzir outros sons como nu-jazz e house? É alguma desilusão com o drum'n bass?

Drumagick: O Telefunken que é o único produtor do 30Hz – além de mim (Jr. Deep) - que está trabalhando com cinema e anda afastado do meio das produções e discotecagem. A Mari investe em sua carreira como DJ que aliás vai indo muito bem. Tem um excelente repertório técnica muito boa e muito feeling de pista mesmo. É engraçado, mas ultimamente ela vem tocando mais que eu. Antes de começarmos o 30Hz ela já comprava muitos discos de nu jazz nas suas viagens pra Londres. Discotecar com estes discos foi natural. Hoje em dia ela toca em várias festas com um repertório exclusivo de nu jazz e às vezes ela mistura com drum’n bass. Muito do que eu ouço de nu jazz acaba sendo por influência dela. Um DJ que me introduziu nesta história e que eu admiro muito pelo seu conhecimento e pesquisa musical constante é o Alexandre Tahira, definitivamente o melhor de nu jazz no Brasil. Essa influência toda reflete-se em meu trabalho como produtor e ultimamente, com o Guilherme também devidamente influenciado, o Drumagick vem explorando os mais variados caminhos da música, incluindo esse novo estilo. Mas isso não significa que estamos desiludidos com o drum’n bass. Como dissemos antes, acredito que ele tem uma longa vida pela frente e não pretendo largá-lo por nada. Na realidade estes experimentos com outras sonoridades só nos ajudam na hora de fazer drum’n bass porque acabamos criando com muitas idéias na cabeça, e isso (idéias) é um verdadeiro tesouro para todos nós produtores. Outro fator importante que contribuiu para nossos experimentos musicais mais audaciosos foi a formação da banda Vitrola Stereophonica, com vários e ótimos músicos com os quais eu venho me relacionando há dois anos e desenvolvendo um trabalho muito legal de shows de música eletrônica tocados por uma grande banda. Temos algumas coisas gravadas e que serão lançadas no mercado em breve. Tem também o projeto de nu jazz chamado “Rewined” que começou no dia 12 de Agosto e é formado por mim (Jr. Deep), Tim Adams (DJ de nu jazz canadense) e a Mari e acontece todas as quintas no Bar Oito.


DNBOL: Tecnicamente, como vai ser a distribuição do álbum e dos discos dentro do país?

Drumagick: Bom, o álbum está sendo distribuído pela Sony Music e nós juntamente com o pessoal da Segundo Mundo tentamos suprir o abastecimento de lojas pequenas onde, na prática, a distribuição não chega. Portanto, se você, de qualquer estado, não conseguir encontrar nosso disco, pode entrar em contato conosco por e-mail ou pelo site que providenciaremos para que você possa adquiri-lo. Com relação ao vinil, estamos vendendo para as lojas na galeria da Rua 24 de maio, em São Paulo, como por exemplo a Stuff Records (www.stuffrecords.com.br) e também vendemos pelo site ou e-mail, é só entrar em contato com a gente. Lembrando que o vinil está sendo vendido nas lojas ao preço de R$30,00, o que é bom comparado ao preço dos discos importados. É uma forma de colaborar com o bolso de todos os DJs que se esforçam pra comprar discos e manterem-se atualizados.


DNBOL: Quem é o melhor produtor/DJ internacional na opinião de vocês?

Drumagick: (Jr.): Como DJ, admiro Hype e Zinc. Nas produções gosto muito do Calibre, Ed Rush & Optical, Hazard (quando ele faz a linha B side). Tem muita gente que eu gosto e estou esquecendo de um monte agora.

(Guilherme): Gosto muito do Andy C, veterano e grande referência no drum’n bass mundial. Makoto é fenomenal... Tem também alguns produtores que vem lançando ótimas faixas como o Nu:Tone e o Commix, que já são de uma safra mais recente. São muitos nomes que estão realizando ótimos trabalhos e fica impossível definir um só artista.

Por Weirdo - via e-mail
Segunda-feira, 20 de Setembro de 2004 - 06:53
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