Onde estará XRS? A pergunta, bem comum no meio junglist brasileiro hoje em dia, está no ar desde sua última aparição na Mooca, na festa _síntese, em novembro de 2005. Muitos boatos surgiram sobre o paradeiro do DJ e produtor paulistano.
Xerxes está em sua primeira turnê solo. Começou por Berlim, no Watergate, em fevereiro deste ano e termina em Londres, dia 28 de maio, na Atmosphere, noite promovida pelo lendário DJ Nookie. Na Alemanha, o DJ passou por Hamburgo, Munique, Leipzig, Chemnitz e Potsdam. Achou bootleg de LK com vocal de TLC na ex-Alemanha oriental. Visitou países pós-comunistas como Polônia, Bulgária, República Tcheca e Eslovênia. O paulistano ainda tocou em Viena, no Dub Club, para onde o trio DJ Gümmix, DJ Sweet Susi e MC Sugar B sempre levam um pedaço do Brasil (perguntem a Marky e Patife). O brasileiro ainda se apresentou ao lado do MC Gil Felix (dono da voz, letra e melodia de “Capoeira”, de J Majik) em Zurique.
XRS encontrou cenas jovens e consolidadas, conheceu ótimos DJs, MCs e produtores, mas, acima de tudo, constatou que o drum’n bass brasileiro continua em alta. O público europeu, de leste a oeste, está sedento por novidades vindas dos trópicos. Marky e Patife são unanimidade absoluta. O público polonês sabe cantar “Sorriso de Flor”. “Can you Dig it” do Drumagick ganhou quatro (!) rewinds na Bulgária. MC Wiosna quase foi às lágrimas com “25th Floor”, de Bungle. Mas o hit absoluto foi “Você me apareceu” do Kaleidoscópio. Tem gente procurando a faixa em fóruns de línguas indecifráveis. Tudo isso mostra que a imagem internacional do drum’n bass brasileiro é excelente e a curiosidade em relação ao Brasil, maior ainda.
Agora, você confere uma entrevista exclusiva com XRS. E o set da festa no Hoch 10, com o MC LowQui, da Metalheadz, está disponível para os leitores no DNBCast do DNB Online.
DNBOL: Você passou por vários lugares da Europa. Onde você está agora?
XRS: myspace.com/djxrs. Lá tem um radar que me acha sempre. [risos]
DNBOL: Você saiu sem dizer “tchau” e foi fazer sua turnê bem longe. Houve algum motivo particular pra essa sumida estratégica?
XRS: Como assim? Eu disse tchau para minha mãe, para os meus filhos, para a minha tia e pra Loopy, e saí para trabalhar, oras!
DNBOL: Mas seus fãs notaram sua falta e não recebiam notícias suas... Em qualquer uma das comunidades online de drum’n bass existem tópicos perguntando sobre onde você está.
XRS: Eu também senti muita saudade, e qual que é a pergunta?
DNBOL: A sua turnê foi simplesmente uma viagem profissional ou você estava mais em busca de novos ares? Sair um pouco da cena brasileira.
XRS: Foi mais do que isso. Foi a necessidade de ter tempo para eu ver e perceber o que se passa à minha volta e saber mais da minha origem e da pessoa que sou, o porque de eu gostar tanto desse estilo musical, o quanto e porque eu represento algo para ele. Então peguei minhas malas e minhas perguntas e saí.
DNBOL: Certo. E olhando e participando da cena drum’n bass por essas terras geladas, qual a principal diferença que você vê do Brasil?
XRS: Pra ser honesto, eu já saí daí com saudades. O que fez com que eu procurasse semelhanças com o Brasil, ao invés de diferenças.
DNBOL: Quais foram as principais semelhanças então?
XRS: Uma delas é a tensão pós-ataque que se espalhou e o quanto as pessoas se sentem contrariadas com a guerra no Iraque, que ainda está acontecendo, e em maior ou menor grau isso se reflete nos clubes. A surpresa ficou por conta do carinho que as pessoas por toda a parte têm pelo Brasil. A Europa pós-comunista é muito parecida com o Brasil, principalmente em termos de poder aquisitivo. A diferença é que no inverno chega a fazer 30 ºC negativos.
DNBOL: E você tem produzido por aí? Como andam os projetos?
XRS: Dei uma pausa no Play e liguei o Rec.
DNBOL: Adquirindo boas influencias?
XRS: Ótimas! Todos os dias tenho aprendido algo novo, diferente. Todos os dias tenho revisto meus conceitos. Aprender com 30 anos dói um pouco, já sou um pouco cabeça-dura, mas tem valido muito a pena.
DNBOL: Que ótimo! E quando poderemos te ver novamente por aqui?
XRS: Já deve chegar por aí um pouquinho de mim, em forma de bits e ondas sonoras nesses próximos meses.
DNBOL: Releases? Conta vai!
XRS: Seguinte: peguei pra experimentar o máximo com o mínimo que tivesse à mão. Nesses últimos meses as MKs e o mixer foram meu estúdio, que eu usei ao vivo pra sobrepor sons. Estou em busca do flow perfeito, e os resultados mais recentes dessa experiência são o remix de “Brothers”, do Dave Angel (V recordings), outro remix para “No way back”, do Stress Level e TC1 e finalmente, após o release da Critical, um novo lançamento do meu projeto, SysX, pela Nu-directions: “Retrato” e “Evening Sun”.
DNBOL: Boas novas! Estamos ansiosos por novidades suas. Mas e você? Tem alguma data pra voltar ou ficará pra copa do mundo?
XRS: Vou visitar meus amigos de Domingo Maior, Charles Bronson e Chuck Norris. Depois quero ir pra praia!
DNBOL: Muito esperto! Acho que é isso! Obrigado pela entrevista e pelo set concedidos. Fique sabendo que esperamos vê-lo o quanto antes discotecando novamente por aqui, com seu novo penteado. Mande lembranças ao Chuck!
XRS: Um forte abraço a todos, e tratem de vencer a Copa!
Texto: Luciana Amorim, colaboradora do DNB Online, de Belo Horizonte
Entrevista: Gabriel SYA, diretor do DNB Online
Datas da turnê européia, inverno de 2006:
03.02.06 - Berlim - Watergate (Alemanha)
04.02.06 - Hamburgo - Hoch 10 (Alemanha)
10.02.06 - Munique - Southern Sessions (Alemanha)
04.03.06 - Zakopane - Botanica (Polônia)
10.03.06 - Potsdam - Waschhaus (Alemanha)
11.03.06 - Sofía - Club Pulse (Bulgaria)
17.03.06 - Leipzig - Distillery (Alemanha)
18.03.06 - Chemnitz - Cubeclub (Alemanha)
25.03.06 - Ceske Budejovice - Drumatic Special (República Tcheca)
31.03.06 - Graz - Postgarage (Áustria)
03.04.06 - Viena - Dub Club (Áustria)
08.04.06 - Zurique - Mute (Suíça)
26.04.06 - Ljubljana - Drumwise Predstavlja (Eslovênia)
28.05.06 - Londres - Atmosphere (Inglaterra)
+ Info MC LowQui