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  Fazendo barulho [Entrevistas]  
Para alguns, modismos, tendências e afins não significam muita coisa. Existe também quem não dependa de muita estrutura para se divertir. Atividades simples como reunir amigos para ouvir boa música, bater papo ou apenas descontrair ganham um sentido mais amplo quando são feitas por um coletivo de afinidades em comum. Há cinco anos, um grupo de pessoas chamado Barulho resolveu montar o ATensão Sistema Sonoro. O núcleo cresceu e se tornou um ponto de encontro maior, reunindo músicos, DJs, VJs e artistas em geral, com o objetivo de realizar intervenções com som, imagem, performances e outras manifestações em lugares públicos de São Paulo. Hoje, o sound system é sua principal arma de ação, juntamente com a Dada Rádio que difunde seu trabalho através da internet.

O Tranquera conversou com alguns dos seus integrantes. Veja a entrevista.

Qual o principal objetivo do coletivo?
Amadeu: Reunir pessoas com intensões, coisas boas para expressar. Superar o marasmo e o absurdo do modo capitalista de viver. Ser de outro jeito, trocar experiências, ouvir e ver coisas interessantes.
Arthur: Divulgar cultura, agregar pessoas e se divertir!
Gondim: Reunir pessoas, sonoridades que hoje são restritas a clubs e locais pagos. Levar para a rua música de qualidade, sem focar num estilo só. Você vai para o nosso sound system e ouve de tudo, Techno, Breaks, Dub, Jazz, Rock'n'roll, Heavy Metal, Blues, Reggae, Jungle, mostra a todo mundo que isso é possível. Sem alvará, sem autorização do governo.

Quais as atividades desenvolvidas pelo ATensão? Como são articuladas?
Amadeu:
Encontros – se quiser chamar intervenções urbanas de caráter artístico – voltados a valorizar o espaço público, a rua como encontro e não clubes fechados e pagos. Proporcionar arte para qualquer um, de dia mesmo, das 16h00 às 22h00, normalmente. Nós nos articulamos pela internet, telefone, mas principalmente por um sentido de entrelaçamento e objetivos comuns, além de convivência.
Gondim: Além do som na rua, temos a Dada Rádio na net, o projeto Som-ar que é uma escola de DJs de rua. Som na rua é rodar São Paulo, descolar donos de bares dispostos a vender cerveja. Perguntamos se tem tomada e se tem interesse. De manhã até às 22h00, por causa do PSIU mala. A polícia aparece – de praxe – mas sem problemas na verdade. Somos hippies tocando violão na rua, só que nossos violões são amplificados!
Arthur: Temos um site, http://www.barulho.org, onde são postados sons, sets, vídeos, artigos e demais formas de expressão artística. Lá também têm uma rádio online. De resto é fazer intervenções na rua e organizar festas.
Márcio: Basicamente os sons em botecos, as quais são articuladas via email, telefone e entre uma cerveja e outra. Afinal, são pessoas muito diferentes que vivem situações muito particulares. Tem a Dada Rádio que também é Barulho. Às vezes tenho a sensação de que qualquer atividade realizada por um integrante ativo do Barulho também faça parte dessa história toda.

Para o ATensão, qual a relação entre atitude, cultura, diversão, música e espaço público?
Arthur:
A idéia é dar livre acesso às pessoas, à cultura que disponibilizamos. Nada melhor do que realizar esses encontros em lugares públicos. A arte tem que ser livre e divertida!
Márcio: Para mim, atitude está vinculada à forma como você faz. Acredito que o Barulho seja uma minoria que não ambiciona ser maioria, ONG ou outra coisa qualquer. O Barulho é uma interjeição na qual se exprime sentimentos, afirmação e invenção. Pois outro mundo – alternativo – não é possível, senão como reposição de ordem. Outros mundos – práticas – já existem e são insuportáveis para os guardiões da ordem. Cultura é troca! Música é diversão! E poder trocar música na rua – espaço público – é mais divertido.
Amadeu: A atitude de levar nossas idéias musicais e políticas em frente, sem o Estado ou uma empresa como mediação, levando cultura, trocando cultura – conhecimento – na rua, que é o lugar público por si só, onde todo mundo pode se manifestar.
Gondim: Um não vive sem o outro.

É possível se divertir sem depender de um circuito de clubs, casas de shows, salas de projeções e outros centros culturais privados? Como?
Márcio:
Não conheço nada mais divertido e barato do que conversar com amigos numa mesa de boteco ouvindo boa música. Mas cada um precisa saber o que diverte. Hoje o espaço de clubs e casas de shows estão completamente colonizados. As festas são marcadas por esquemas tão previamente definidos que os discursos e práticas são meramente substituídos por imagens. As relações tornam-se completamente midiatizadas. Estéreis. Isso não me diverte.
Arthur: Com certeza os encontros na rua são mais produtivos nas trocas e na diversão do que a maioria dos clubs. A pessoa está num lugar onde todos ali estão abertos para diálogos. Não tem que pagar para entrar e está aberta para qualquer tipo de pessoa. O interessante é a mistura desses grupos em um mesmo lugar, de forma divertida e pacífica. Muitas vezes os clubs focam determinados grupos e esquecem que os outros também podem ser interessantes. Na rua vale tudo!
Amadeu: Com certeza, acho muito mais interessante e rico. Ocupar espaços sem portas e grades, abrir espaço para todo mundo, mas principalmente mostrar para as pessoas que é possível fazer sem depender de ninguém. E, aos poucos, mostrar para as pessoas que ocupar as ruas reduz a violência, aumenta a alegria. O sempre igual é tedioso
Gondim: Hoje em dia ou me divirto assim, ou não me divirto. Os preços dos clubs estão restringindo e muito o público. Não tenho grana para ficar pagando R$ 5,00 em uma garrafa de água dentro de clubs. Produzo música eletrônica e vejo muita dificuldade de me inserir nas panelas para poder tocar nas festas. Vamos aos butecos, pagamos preços justos e difundimos nossa arte, independente de grana. É puro tesão. Tem gente que chama ir na Lov.e, na D-Edge, no Vegas, estar na "cena" eletrônica. Mas essa cena só alimenta os bolsos dos donos das casas noturnas e os DJs com mega cachês. Entendo cena como algo superior a isso tudo. Vejo como movimento o que a gente faz, de movimentar pessoas, carregar caixas de som para lá e para cá. Isso é muito mais um "movimento" do que clubs estáticos, que lucram e dão pouca chance para DJs, VJs, músicos bons fora do mainstream. Fora que as noites são enlatadas. Você vai ouvir o som X a noite toda, não a diversidade.

Qual a importância do senso de coletividade, envolvimento e participação para o ATensão?
Gondim:
Sem ele, nada acontece.
Márcio: Tudo o que foi dito anteriormente resume isso. Enfim, é mais fácil e mais inteligente fazer junto. É mais divertido. Não somos apenas "ativistinhas colados numa prática qualquer". Somo antes de qualquer coisa amigos e isso torna as coisas mais divertidas ainda. Para mim é isso. Mas para ter mais ou menos uma idéia do que seria o Barulho teria de interrogar um por um. Trabalho árduo. Pois, pessoalmente, não faço idéia de quantas pessoas aparecem e desaparecem ou estão apenas na escuta.
Amadeu: O coletivo se faz na iniciativa de cada um, compartilhar interesses e cumprir a proposta do fazer. Muita gente só fala, só reclama. Então vai lá e faz, procure um lugar que receba som, pessoas, verifique se a vizinhança vai tolerar o barulho até às 22h00, procure transformar o dono do lugar num parceiro. Convide pessoas para expressarem sua arte, sua música, divulgue. É isso. Atualmente a maior barreira para nosso projeto acontecer é a mente pequena das pessoas, o medo do barulho, uma cidadania reacionária, mas temos coragem e vamos em frente.
Arthur: A coletividade é tudo! Cada um tem seu papel no grupo, que pode ser alterado quando a pessoa quiser. Se hoje faço imagens e amanhã quiser cantar, escrever um texto ou colocar um som, sou livre para isso. O importante do senso coletivo é estar aberto e disposto a ajudar para a melhoria do grupo. Como temos pessoas das mais diversas áreas artísticas, cada um se propõe a ajudar com o que tem de melhor a oferecer no momento. Isso faz o coletivo se fortalecer cada vez mais, agregando novos conhecimentos e parceiros.

Bruno Belluomini é colaborador do DNB Online
Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007 - 03:09
  COMENTÁRIOS Postar Comentário 
BARULHO NELES !!!!!!!!!!
CASANOVA / Ter Fev 12, 2008 6:04 pm / /
Baixada Santista
é um núcleo assim que estamos devagarinho montando aqui em santos......falta realmente alguns optarem por uma diversão sadia.....diversificada e de qualidade......parabéns aos autores do projeto....e aos frequentadores......que compareção cada vez mais pra fortalecer essa pérola...abraço......
dj koala / Dom Dez 23, 2007 8:31 pm / /
Muiii bom!!!
yeah!!! som, amigos, cultura e diversão (Barulho.Org).

Shalom Adonay!!!

Negrulho.
negrulho / Dom Dez 02, 2007 2:36 am / /
ah, adoro, fui em uma, quero ir em outra por que na ultima nao deu tempo, mas queria prticipar!!!
duodroume!!! / Ter Nov 06, 2007 10:55 am / /
É nóis na RUA de GRATIS
Convidado / Sex Out 26, 2007 2:10 pm / /
Texto e entrevista fiel a proposta do barulho....VAMOS TOMAR AS RUAS!!!!!!!!!!!!!!!
Amadeuz / Sex Out 26, 2007 2:07 pm / /
MARAVILHA
#1 / Sex Out 26, 2007 10:41 am / /
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