O pós-dubstep e o fim da discussão

O que é a “cena” se não as pessoas que a fazem? Toda uma história de pós-dubstep vem se alastrando nos meios de comunicação, tanto no Brasil quanto fora. A melhor explicação que encontrei até agora não foi a de algum jornalista formador de opinião de algum site famoso, mas sim de um entusiasta em um forum sobre dubstep (o dubstepforum.com). Um cara qualquer como eu ou você que curte o som, acompanha, e se importa em discutir e expor sua opinião.

Achei o texto dele, Dominic Morris (ou “dat1″ como é identificado no forum), tão interessante que resolvi traduzir e compartilhar aqui. Troquei umas idéias com ele antes e o mesmo concordou na publicação do texto com uma condição: “Que não passe a imagem de que sou alguém que sabe do que esta falando” em suas próprias palavras seguido de risos – o que nesse ponto discordo completamente.

Confira

Não entendo o hype das pessoas por não rotular as coisas.
“É tudo música” é algo estúpido, quase autoritário de se dizer, é “anti-pensante”, é matar a conversa e o debate.
Quando você vai à um evento com um amigo você vai querer falar sobre ele depois. Você não vai dizer “É tudo música”, ou “Eu gostei daquela festa”. Quer dizer, você pode falar isso, mas seria sem sentido e no mínimo chato. Você vai dizer “Foi muito louco quando Ben UFO lançou todo aquele 2-step, e o jeito que o Mala terminou seu set com aqueles clássicos do hardcore”.

Claro que por outro lado o pessoal começa a forçar a barra definindo gêneros para cada artista ou música, ou afirmando que existem claras diferenças entre dois gêneros quando as linhas que os diferenciam são meio borradas. Por exemplo o álbum In Fine Style, do Horsepower – UK garage, dark garage, proto-dubstep, quase-dubstep, dubstep? Existem momentos que devemos dar um descanso aos rótulos, mas nossos limites nos definem, e saber o que o dubstep é ou não é torna a conversa sobre ele interessante.

Por volta de 2005-2008 o dubstep foi se solidificando em um modelo de 140bpm, batidas half step, ambientação sombria, sub-bass (grave) massivo e um pouco de wobble bass (grave oscilante). Claro que cada um tinha seu próprio estilo nesse modelo, não há algo como uma “faixa puramente dubstep”, só com elementos do dubstep e nada mais, e dizer que existia um modelo não é negar a criatividade humana do processo: modelos são o que tornam gêneros excitantes, você vai à uma noite de dubstep para ouvir as loucuras que pessoas conseguem fazer com um subgrave massivo aos 140bpm, como eles vão até os limites e brincam com eles.

Pós-dubstep é um termo para descrever um monte de música que, embora provenientes de dubstep, de foruns sobre dubstep, de festas de dubstep, de produtores de dubstep, não mais se encaixam no “modelo do dubstep”. Faixas como “Hyph Mngo”, de Joy Orbison, que trouxe os agudos de volta ao dubstep, e deu ao estilo um lado mais eufórico que não existia até então.

Joy Orbison – Hyph Mngo

E o interessante é que esses novos sons estão indo em direções diferentes, sem mais um centro unificado de 140/sombrio/subgrave/etc… É difícil dizer o que Pariah e Jam City tem em comum, mas se ver ambos como pós-dubstep, vindos do dubstep, há uma certa ligação coerente entre ambos.

Não acho que seja um bom nome, quem sabe quando novos sons um pouco mais unificados surgirem um nome melhor aparecerá. Creio que seja um nome aceitável e útil nesse momento. Não estou dizendo também que o dubstep está morto, existe muita coisa excelente sendo lançada nos 140bpm, mas ao invés do ‘pós-dubstep’ ser uma coisa má que está querendo matar o ‘dubstep tradicional’ é mais fácil enxergar como uma libertação. Falo de caras como Joy Orbison, Ramadanman e Boxcutter, dos quais os sons não mais se encaixam na velha formula de se fazer dubstep e que abre os horizontes para uma nova e maravilhosa cultura do grave.

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